Transformação digital: como fica a contratação de talentos tech?

Muitas empresas que antes não pertenciam ao universo da tecnologia precisaram se reinventar e se adaptar à nova realidade do mercado. A transformação digital foi e ainda está sendo uma estratégia de grandes empresas para permanecer atualizada e garantir crescimento.

Mas como a transformação digital afeta a área de recrutamento e seleção? Quais são os desafios enfrentados? O que muda na estratégia utilizada pelas empresas para atrair os melhores profissionais de tecnologia? Descubra a seguir.

Principais desafios da transformação digital

As empresas que decidem fazer a transformação digital enfrentam mudanças de todos os âmbitos, cultural, estrutural, entre outros. O processo é gradativo e dura anos para acontecer 100% e mesmo assim, precisa ser atualizado e adaptado constantemente para acompanhar as mudanças do mercado. É preciso reorganizar a casa totalmente, investir não só em novas tecnologias, como novos profissionais que antes não existiam no organograma, o que implica em mudanças também na área de recrutamento e seleção do RH.

Para que uma empresa se transforme em digital, ela precisará contar com um número de profissionais de tecnologia muito maior do que antes da transformação e também com talentos capacitados e atualizados, que dominem as linguagens mais modernas.

Uma pesquisa recente da Equinix, empresa mundial de infraestrutura digital, destacou que a liderança global de TI tem graves preocupações no que se refere à contratação e retenção de talentos tech. Segundo a Pesquisa Global Tech Trends 2022, 62% dos tomadores de decisão de TI do mundo e 61% dos executivos do Brasil veem a escassez dos profissionais com competências em tecnologia como uma das principais ameaças aos negócios.

Por isso, a nova necessidade de contratação também acarreta uma especialização da área de recrutamento e seleção. Se antes o RH era generalista, agora ele precisa contar com profissionais de recrutamento e seleção especialistas em atração e contratação de profissionais de tecnologia, os Tech Recruiters.

O funil e o processo de recrutamento são diferentes do tradicional para atração de candidatos de outras áreas que não tecnologia, pois o mercado de TI é muito mais dinâmico, sofre escassez de profissionais e exige mais agilidade e assertividade para garantir o sucesso desejado.

Estratégias de recrutamento e seleção que devem ser adotadas em uma transformação digital

Mediante a todos esses desafios, selecionamos algumas estratégias que precisam ser consideradas em uma empresa que está passando pela transformação digital. Confira:

Invista em uma equipe de Tech Recruiter

Capacitar a equipe de RH generalista ou então contratar novos profissionais já especializados na área e um passo importante para se preparar para a alta demanda de contratação tech que será constante na digitalização da empresa.

Promova a integração das áreas de TI e RH

Se antes as áreas não eram tão próximas e a demanda de contratação era solicitada como se fosse um pedido de um pastel, hoje ela precisa ser personalizada, requer conhecimento não só da função da vaga, mas do projeto específico que o candidato fará parte, conhecimento do perfil da equipe que exigirá uma avaliação mais rigorosa das softskills, entre outras necessidades que podem ser alinhadas mais rapidamente e assertivamente se as áreas de TI e RH trabalharem juntas.

Tenha capacidade de replanejar

Se antes o planejamento do funil de atração atendia às demandas e podia ser seguido do começo ao fim do processo sem alterações, hoje, não mais. A dinâmica é mais ágil e a adaptação do planejamento também precisa ser realizado ao longo do processo de seleção.

Segundo a Coordenado de Transformação Coorporativa do Banco Bmg, Aline Mariana Barth, o processo de atração de talentos precisa ser redesenhado para que as metas sejam alcançadas.

“Algumas estratégias que usamos é fazer podcast e eventos para profissionais de TI, mapear e se inserir em comunidades tech. Estratégias que a princípio não estavam no nosso plano, mas que buscamos novas alternativas para suprir a demanda que não seriam supridas cumprindo somente as estratégias iniciais de atração de talentos”, afirma.

Coordenado de Transformação Coorporativa do Banco Bmg, Aline Mariana Barth

Conte com ferramentas e parcerias que agilizam o processo de recrutamento

Para cumprir com o SLA, encurtar os processos seletivos e vencer a competição do mercado pelos melhores talentos tech é preciso investir em algumas ferramentas que ajudam na tomada da decisão e deixe o processo mais estratégico e menos operacional possível. Algumas ferramentas são: Talent Match, que disponibiliza ranking de profissionais qualificados e validados 100% do timing de contratação com orçamento previsível, ferramentas de Kanban que ajudam a implantar a metodologia ágil, entre outras.

Faça mudanças no discurso

Antigamente, uma vaga era atrativa se apresentasse um cargo e salário competitivo, hoje esses dois pontos continuam importando, mas não os únicos determinantes. O discurso na hora de divulgar uma vaga e também de abordar um candidato precisa ser mais amplo e incluir: aprendizado, desafios, perspectivas de crescimento, importância social do projeto, modelo de trabalho (home office ou híbrido), entre outros novos interesses dos talentos tech atuais.

Evolua as etapas do processo seletivo

Segundo a pesquisa FEEX – FIA Employee Experience, os profissionais de tecnologia recebem 84% mais convites de emprego do que outros profissionais do mercado. Por isso, para ganhar a atenção e conseguir atrair um talento tech não é só a abordagem inicial que precisa ser personalizada e muito bem-feita no processo de hunting.

De acordo com a coordenadora do BMg, Aline Barth, a experiência como um todo do processo precisa ser excelente, as etapas precisam ser planejadas, fazer sentido e até a ordem dos testes pode ser invertida para melhorar a vivência do candidato. “Antes fazíamos um teste técnico bem no começo do processo seletivo, mas percebemos que isso não funciona mais, pode espantar o candidato. Hoje passamos essa etapa para o final, porque se não houver um namoro inicial entre candidato e a empresa, se ele não for conquistado primeiro, ele nem topará fazer o teste”, exemplifica.

Assista ao HireInTech Talks do Case Banco Bmg na íntegra e confira todas as dicas que a Aline Barth compartilhou conosco:

Invista em Employer Branding

Uma marca pode ser nacionalmente conhecida, mas se ela não tiver o reconhecimento da comunidade tech, isso é, ser alvo de desejo dos profissionais de TI ficará mais difícil contratar os melhores talentos do mercado, visto a alta demanda de contratação X escassez de profissionais.

Por isso investir no fortalecimento da marca empregadora por meio da construção de uma área interna que cuide somente desse interesse ou na contratação de uma consultoria especializada é muito importante para ter diretrizes fundamentadas, contar com pesquisas e levantamento de dados que suportarão a criação das estratégias com mais sentido para a empresa.

As formas mais eficientes adotadas por grandes companhia que fizeram a transformação digital como Banco Inter, Bradesco e Bmg é possível destacar campanhas publicitárias alinhadas com esse novo perfil de empresa e com os objetivos do recrutamento e seleção, participação de comunidades tech, criação de uma cultura diversa, um ambiente de trabalho agradável, investimento em capacitação e chance de crescimento profissional para os colaboradores, flexibilidade no modelo de trabalho, benefícios, entre outros aspectos que compõe a criação de uma marca forte em tecnologia essenciais para ser competitivo neste mercado.

Agora, você já conhece os principais desafios que uma empresa enfrenta durante a transformação digital, entendeu os reflexos que esse processo pode causar na área de recrutamento e seleção e descobriu algumas estratégias que ajudam a driblar novas dificuldades de atração e retenção de talentos tech.

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